ARTIGOS

Como funciona um projeto de identidade visual?

Avatar de Cleiton Avi
Por Cleiton Avi 12 min de leitura

“Depois que eu contratar, o que acontece?”

Essa é uma dúvida bem comum quando alguém entra em contato comigo para desenvolver uma identidade visual.

A pessoa entende que precisa mudar a marca, recebe uma proposta, vê uma série de etapas e entregas, mas nem sempre consegue imaginar o que acontece entre a primeira conversa e os arquivos finais.

E eu acho importante entender isso antes de começar.

Um projeto de identidade visual envolve uma sequência de decisões. Cada etapa existe para responder algumas perguntas, reduzir incertezas e preparar o terreno para a próxima.

Vou te mostrar como esse processo costuma funcionar nos projetos que eu conduzo.

Como funciona um projeto de identidade visual? A resposta curta

Eu começo entendendo o negócio, o momento da empresa e o problema que a identidade precisa ajudar a resolver.

Depois, organizo essas informações em critérios para o projeto, exploro possíveis direções visuais, valido essas direções com o cliente e avanço para o desenvolvimento da identidade visual.

A partir daí, o sistema é testado nos principais pontos de contato da marca, refinado e organizado para que outras pessoas consigam utilizá-lo depois da entrega.

O processo pode mudar conforme a empresa, o desafio e o escopo.

A lógica por trás dele costuma permanecer: cada decisão prepara a próxima.

Tudo começa antes do desenho

Uma empresa normalmente procura um projeto de identidade visual porque alguma coisa está acontecendo.

Talvez esteja começando e precise se apresentar ao mercado.

Talvez tenha crescido e a marca já não representa muito bem a empresa.

Pode estar entrando em um novo mercado, mudando seu público, aumentando o ticket, criando novas frentes ou tentando organizar uma comunicação que foi crescendo sem muita direção.

Esse contexto importa muito.

Antes de pensar em símbolo, cor ou tipografia, eu preciso entender onde a empresa está e para onde pretende ir.

Por isso as primeiras conversas costumam passar pelo negócio, pelo público, pelos concorrentes, pelos diferenciais, pelos objetivos e pela maneira como a empresa gostaria de ser percebida. Quanto mais profundidade, mais autenticidade.

Também procuro entender os principais pontos de contato da marca.

Um negócio que vende principalmente através de apresentações comerciais tem necessidades diferentes de uma empresa cuja marca aparece o tempo inteiro em embalagens, aplicativos ou lojas físicas.

O visual vai precisar funcionar nesse mundo real depois.

Se você ainda está tentando descobrir se esse tipo de projeto faz sentido para o momento da sua empresa, escrevi também sobre quando vale a pena investir em identidade visual.

O briefing é o ponto de partida

Receber informações é relativamente fácil.

O desafio está em transformar tudo aquilo em parâmetros que ajudem a tomar decisões.

Imagine que uma empresa diga que quer parecer “moderna, profissional e inovadora”. Sozinho, isso ajuda pouco. Praticamente qualquer empresa gostaria de ser percebida dessa forma. Isso não diferencia, não posiciona.

Eu preciso investigar o que essas palavras significam naquele contexto.

  • Profissional de que maneira?
  • Mais técnica ou mais próxima?
  • Mais institucional ou mais expressiva?
  • Que características precisam aparecer?
  • Quais precisam ser evitadas?
  • O que existe no mercado hoje?
  • Onde existe espaço para diferenciação?

No meu processo, essa primeira etapa termina com uma síntese.

O objetivo é conseguir responder com mais clareza coisas como:

  • Quem é essa empresa?
  • O que mudou?
  • Qual é o desafio atual?
  • Para quem estamos construindo essa marca?
  • Que percepção queremos fortalecer?
  • Quais diferenciais precisam aparecer melhor?
  • Onde essa identidade será usada com mais frequência?

Essas respostas viram critérios para avaliar as próximas etapas.

É uma mudança importante.

A conversa começa com opiniões e informações espalhadas. Depois da síntese, já temos uma base para discutir decisões.

Os moodboards ajudam a enxergar possibilidades

Com os critérios mais claros, começo a entrar no território visual.

Uma ferramenta que uso bastante nessa etapa são os moodboards.

Eles reúnem referências de tipografia, cor, composição, fotografia, linguagem gráfica e outros elementos capazes de explorar diferentes atmosferas para a marca.

O objetivo aqui é conversar sobre percepção. Um mesmo desafio pode ser resolvido por universos visuais bastante diferentes. Podemos descobrir que uma determinada direção parece fria demais. Outra pode estar próxima demais dos concorrentes. Uma terceira pode ter a combinação certa de estrutura e personalidade, mas precisar de ajustes na linguagem de imagem.

Esse tipo de conversa é muito mais útil antes de eu passar semanas desenvolvendo uma identidade completa.

Os moodboards ajudam a identificar afinidades, rejeições e limites.

Depois disso, consigo avançar com mais clareza.

Das referências nasce uma direção própria

Direção visual conduzida por Cleiton Avi

Depois que os moodboards cumprem seu papel, começo a interpretar aqueles aprendizados.

Aqui as referências externas dão lugar a estudos desenvolvidos especificamente para a empresa.

Eu exploro como tipografia, cores, composição, imagens e linguagem gráfica podem funcionar juntas dentro de uma direção autoral.

Essa etapa é importante porque cria uma ponte entre estratégia e identidade visual.

Ainda existe espaço para ajustar comportamento, intensidade e percepção antes de todo o sistema estar desenvolvido.

Eu gosto de trabalhar dessa forma porque cada validação reduz um pouco a incerteza da próxima etapa.

O cliente também consegue acompanhar o raciocínio.

Em vez de receber uma solução inesperada no final do projeto, ele entende como chegamos até lá.

A identidade visual começa a tomar forma

Processo de testes e aplicações de identidade visual conduzido por Cleiton Avi

Com a direção alinhada, começa uma fase bastante exploratória.

É quando eu desenho, testo, comparo, descarto e refaço.

Símbolo, logotipo, tipografia, paleta de cores, elementos gráficos, composição e outros componentes começam a ser desenvolvidos como partes do mesmo sistema.

Eu testo bastante. Estresso o máximo de ideias possíveis

Algumas ideias parecem promissoras no começo e perdem força quando são desenvolvidas.

Outras começam discretas e ficam mais interessantes conforme encontro novas relações.

Tudo faz parte do processo.

Minha preocupação nessa fase está em encontrar uma solução que consiga responder aos critérios definidos no início e, ao mesmo tempo, tenha personalidade suficiente para pertencer àquela empresa.

O logotipo tem um papel importante nisso, mas ele vive junto de vários outros elementos.

Se essa diferença ainda gera dúvida, vale ler também o artigo sobre a diferença entre logo e marca.

As aplicações colocam o sistema à prova

Sistema de identidade visual em síntese conduzido por Cleiton Avi

Uma identidade pode parecer muito boa enquanto está organizada em uma apresentação.

Eu preciso descobrir o que acontece quando ela entra em uso.

Por isso começo a levar o sistema para situações próximas da realidade da empresa.

  • Um site.
  • Uma apresentação comercial.
  • Uma embalagem.
  • Uma rede social.
  • Um uniforme.
  • Uma fachada.
  • Uma interface.

Os pontos de contato variam conforme cada negócio.

É nessa etapa que observo legibilidade, flexibilidade, reconhecimento, contraste, hierarquia e consistência.

Às vezes uma escolha funciona muito bem em uma aplicação grande e encontra dificuldade em tamanhos menores.

Uma composição pode funcionar em formatos horizontais e precisar de outra lógica no vertical.

Uma paleta de cores pode parecer suficiente até o sistema precisar organizar conteúdos mais complexos.

Esses testes ajudam a encontrar problemas enquanto ainda existe espaço para resolvê-los.

As aplicações também ajudam o cliente a visualizar como aquela identidade vai existir fora da apresentação.

O cliente participa do processo

Eu gosto de validar o projeto aos poucos.

Existe uma razão simples para isso.

O cliente conhece profundamente o próprio negócio.

Eu entro com meu repertório, minha experiência e uma visão externa de quem já passou por esse processo com centenas de empresas.

Quando essas duas perspectivas conversam durante o processo, conseguimos tomar decisões com muito mais segurança.

Isso também evita uma dinâmica que considero pouco saudável: o designer desaparece por semanas, volta com uma solução completamente pronta e espera uma reação imediata.

Prefiro construir entendimento ao longo do caminho.

  1. Primeiro validamos o diagnóstico.
  2. Depois os territórios visuais.
  3. Depois a direção criativa.
  4. Depois o sistema de identidade visual.

Cada etapa cria contexto para a seguinte. O feedback ajuda a lapidar.

Em vez de uma conversa baseada apenas em “gostei” ou “não gostei”, conseguimos voltar aos critérios que definimos no início e então perguntar se aquela decisão está ajudando a construir a percepção desejada.

O que você recebe ao final de um projeto de identidade visual?

O escopo varia de acordo com cada empresa.

Uma startup que está lançando seu primeiro produto pode precisar de coisas diferentes de uma empresa consolidada que está passando por um rebranding.

De forma geral, meus projetos podem reunir quatro grupos de entregas.

Estratégia que orienta o projeto

Aqui ficam registrados o contexto, o público, os diferenciais, a percepção desejada e os critérios que orientaram as decisões.

Esse material ajuda a preservar o raciocínio por trás da identidade visual.

Sistema de identidade visual

É o conjunto desenvolvido para representar visualmente a marca.

Pode incluir logotipo, símbolo, tipografia, paleta de cores, elementos gráficos, linguagem de imagem, regras de composição e outros componentes necessários para aquele projeto.

Universo visual aplicado

Também desenvolvo aplicações que mostram como o sistema funciona nos pontos de contato mais relevantes para o negócio.

Além de apresentar a identidade, essas peças servem como referência para futuras aplicações.

Arquivos e orientações de uso

No final, os arquivos são organizados para diferentes necessidades de uso.

Dependendo do projeto, também existe um guia da marca com orientações para que equipes, parceiros, fornecedores e outros designers consigam continuar utilizando a identidade com consistência.

Alguns projetos podem incluir necessidades adicionais, como naming, tagline, arquitetura de marcas, materiais de lançamento, social media kit, layout de site ou outras aplicações.

É por isso que eu prefiro definir o escopo depois de entender o momento da empresa.

Projeto de identidade visual e criação de logo são coisas diferentes

Essa diferença também ajuda a explicar por que propostas chamadas de “identidade visual” podem variar tanto em preço, prazo e profundidade.

Existe serviço focado exclusivamente na criação de um logotipo.

Existe projeto que inclui logo, cores e tipografia.

E existem projetos que começam com diagnóstico, passam por direção visual, constroem um sistema completo e acompanham sua aplicação.

Todos podem aparecer no mercado com nomes parecidos.

O conteúdo por trás do nome é o que precisa ser comparado.

Eu escrevi um artigo inteiro sobre quanto custa uma identidade visual e o que faz o preço variar tanto, porque essa diferença de escopo explica boa parte da variação de investimento que você encontra.

Como saber se o processo faz sentido para a sua empresa?

Eu começaria olhando para o momento do negócio.

  1. A empresa já sabe o que vende e para quem vende?
  2. Existe uma mudança acontecendo?
  3. A percepção atual acompanha o nível da entrega?
  4. A comunicação está consistente?
  5. A marca consegue funcionar nos principais pontos de contato?
  6. Existe clareza sobre o que precisa mudar?

Quando essas perguntas começam a aparecer com frequência, normalmente existe um problema maior por trás do arquivo do logo.

Um projeto bem conduzido ajuda a organizar essas decisões antes de chegar à forma final.

E, para mim, essa continua sendo uma das partes mais interessantes desse trabalho.

Quando a identidade aparece no final, ela carrega uma sequência inteira de conversas, pesquisas, testes, escolhas e descartes que provavelmente nunca serão percebidos por quem encontra a marca pela primeira vez.

Tudo bem.

O papel desse processo é justamente fazer com que o resultado pareça natural quando chega ao público.

Perguntas frequentes

Preciso chegar com uma ideia de logo?

Não. Você pode ter referências, preferências ou percepções que gostaria de evitar, e isso faz parte da conversa. A direção visual será construída a partir do contexto e dos critérios definidos durante o projeto.

O cliente participa da criação?

Sim. Eu conduzo as decisões de design e o cliente participa principalmente nos momentos de alinhamento e validação. A contribuição dele é especialmente importante para confirmar se estamos interpretando corretamente o negócio, o público e o momento da empresa.

O que acontece se eu não gostar da primeira direção apresentada?

O processo possui checkpoints justamente para identificar desalinhamentos antes da finalização. Feedbacks são avaliados junto aos critérios definidos no início, e a direção pode ser ajustada conforme o que for identificado durante a conversa.

Todo projeto de identidade visual inclui as mesmas entregas?

Não. O escopo depende do negócio, do momento da empresa e dos pontos de contato que precisam ser atendidos. Por isso eu faço um diagnóstico antes de definir exatamente o que entra em cada projeto.

Se quiser continuar por aqui

Escrevi outros artigos que podem ajudar a entender melhor algumas decisões antes de contratar um projeto:

Quer conversar sobre a sua marca?

Atuo no design desde 2012 e me especializei em identidade visual e na construção de marcas ao longo dessa trajetória.

Hoje conduzo projetos para empresas em diferentes momentos, desde negócios que estão organizando sua primeira identidade até marcas que cresceram e precisam acompanhar uma nova fase da empresa.

Se você sente que existe uma distância entre o negócio que construiu e a forma como ele está sendo percebido, pode me contar um pouco sobre o momento da sua empresa.

Quero conversar sobre meu projeto

Compartilhe este artigo
Cleiton Avi

Cleiton Avi

Cleiton Avi cria e conduz marcas focado em negócios de tecnologia. Ele atua no design desde 2012 e afunilou sua experiência para a especialização em identidades visuais. Escreve aqui notas diretas sobre a profissão, o mercado e o funcionamento prático do design.

Traga o seu desafio para a mesa.

Me escreve o que está incomodando na sua marca hoje. A partir daí a gente decide o caminho.